Olá, internautas
Nessa sexta-feira (15/05), Três Graças chegou ao fim. A
novela das nove criada e escrita por Aguinaldo Silva, Virgilio Silva e Zé
Dassilva apresentou, em 179 capítulos, uma história contada, de fato, em
novelo. Início, meio e fim sem atropelos.
Apesar do roteiro bem construído, a novela, em si, ficou
longe de integrar a relação das inesquecíveis do gênero. Três Graças lembrou
Volta por Cima e Cara e Coragem. Produções corretas, mas sem a provocação de
uma grande expectativa.
LGBTQIA+
Mesmo com o retrato de um Brasil mais conservador, a
produção pode ser classificada como a novela mais LGBTQIA+ da história da TV
Globo. Sem penumbras, o casal Lorena (Alanis Guillen) e Juquinha (Gabriela
Medvedovsky) ganhou amplo espaço na produção. Beijos entre as duas mulheres
entravam naturalmente na história.
Além disso, havia o casal mais maduro formado por Kasper (Miguel
Falabella) e João Rubens (Samuel de Assis) e também o composto por Leonardo
(Pedro Novaes) e a mulher trans Viviane interpretada por Gabriela Loran, uma
das gratas revelações de Três Graças. Sem falar de Helga (Kelzy Ecard) que nutria
uma paixão platônica por Arminda.
Sophie Charlotte
Sophie Charlotte foi a grande destaque de Três Graças. A
atriz consolidou seu nome na galeria do primeiro escalão da emissora platinada
ao viver a guerreira Gerluce. O público ficou ao lado da mocinha, desde o início.
Não perdeu fôlego em momento algum. Tornou-se referência de uma mulher do bem
em produções contemporâneas.
Murilo Benício viveu um bom momento em sua longeva carreira
televisiva como o vilão Santiago Ferette. O ator surgiu como grande revelação
na teledramaturgia da TV Globo em Fera Ferida, novela também assinada por Aguinaldo
Silva, na pele do gari Fabricio. Um especial reencontro.
Já Grazi Massafera interpretou a personagem mais original de
Três Graças. O desfecho de Arminda entrou no rol de melhores momentos de um
último capítulo. Após a simulação de uma queda da escada, a vilã-mor disparou: “Eu
não ia dar esse gostinho nem que a vaca tussa”. E não parou por aí. “Pronta pro
close, Luis Henrique Rios”, citando o nome do diretor. Diálogos geniais com o telespectador. A atriz,
na reta final, cresceu em sua interpretação. Claramente, se divertia com o
texto. Porém, em grande parte da novela, enxergava mais a figura de Grazi e não
a personagem.
Revelação
Alana Cabral, que já tinha se destacado no filme #SalveRosa,
apareceu como a maior revelação da novela ao interpretar Joélly, jovem de 15
anos que viveu a sina da gravidez precoce, como sua avó e mãe. O cantor Belo superou
a expectativa inicial. É verdade que ficava nítido um maior “travamento” nas
cenas com Viviane Araújo, mas convenceu na pele de Misael.
Falta de São Paulo
Teria sido mais honesto que Três Graças fosse ambientada no
Rio de Janeiro, especialmente no bairro de Santa Teresa, como aparecia no
planejamento inicial. Mais uma vez, a novela da TV Globo não conseguiu transparecer
o ar da capital paulista (e muito menos da Aclimação). Além disso, o sotaque
com o “r” aberto dos atores cariocas fortaleceu a artificialidade de São Paulo
na produção.
Fabio Maksymczuk


Nenhum comentário:
Postar um comentário