Olá, internautas
Neste mês, a TV Globo exibiu Anos 90: A Explosão do Pagode.
Em três episódios exibidos às quartas-feiras, após “Quem Ama Cuida”, o
documentário exaltou o sucesso dos grupos de pagode na última década do século
XX.
A produção trouxe como diretriz o contexto da atual fase da
emissora platinada que reforça a sua preocupação sobre representatividade. De
acordo com a série documental, “a explosão do pagode” foi um movimento preto e
periférico.
Dentro desse cenário, Netinho de Paula afirmou que o pagode dos
anos 90 era machista. Um gancho para o terceiro episódio que enalteceu a maior
diversidade no gênero musical contemporâneo com a presença da comunidade
LGBTQIA+, exemplificada por Ludmilla e Gloria Groove.
De fato, a entrada dos “pagodeiros” na mídia de grande massa
nos anos 90 pode ter estimulado uma referência para o público das periferias
das grandes cidades. Questão identitária. Apesar disso, esse tema era
secundário na época. Eles não estavam ali por isso. Não havia, majoritariamente,
tal discussão nos programas televisivos. As pessoas se envolviam com as músicas
e os cantores transformados em ídolos nacionais.
Anos 90: A Explosão do Pagode foi muito feliz ao resgatar
Eliana de Lima, vista como a “mãe” do gênero. Por outro lado, tentaram vender a
imagem de que Belo teria sido o maior nome do movimento. Visão equivocada.
Alexandre Pires foi o maior ícone dessa geração. Estranhamente, o mineiro não
participou do documentário. O cantor paulistano alcançou mais sucesso na
carreira solo a partir dos anos 2000.
Além disso, a série documental não aprofundou questões
polêmicas da vida pessoal que arranharam a imagem de Belo e Netinho de Paula. Thiaguinho
apareceu nos dois primeiros episódios que trouxeram os primórdios (sucesso do
pagode em showmícios de Paulo Maluf e nas escolas de samba, como Rosas de Ouro
e Camisa Verde e Branco) e o auge do movimento musical. O ex-vocalista do
Exaltasamba deveria ter entrado apenas no terceiro episódio, já que apareceu nos
anos 2000.
Anos 90: A Explosão do Pagode não olhou apenas para a TV
Globo. Destacou a “explosão” também no SBT, maior concorrente da emissora
platinada nos anos 90, inclusive com a guerra dominical entre Gugu e Faustão. Cenas
da Banheira do Gugu e comentários dos artistas sobre a participação em programas
sbtistas foram levados ao ar.
Anos 90: A Explosão do Pagode entra na onda nostálgica que avança
na TV brasileira.
Fabio Maksymczuk

































