Olá, internautas
Nesta quarta-feira (30/09), tive a oportunidade de assistir
ao documentário A Fabulosa Máquina do Tempo no Cineclube Vladimir Herzog. O Sindicato
dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo sedia o projeto que
promove os conteúdos audiovisuais. Desconhecia tal iniciativa que foi
reativado, após 30 anos fechado. Soube através de uma postagem no Instagram.
A Fabulosa Máquina do Tempo foca em um grupo de meninas piauienses de Guaribas. A cidade registrava um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) do Brasil. No início do governo Lula 1, o município foi escolhido como projeto-piloto para o lançamento do programa Fome Zero que depois se transformou no Bolsa Família.
Dentro desse contexto, surge o documentário. Todas as protagonistas recebem o programa federal de transferência direta de renda. Após a exibição do filme, a jornalista Larissa Gould mediou o debate que contou com a participação da produtora Clarice Rios.
Na abertura do bate-papo, Larissa revelou que, durante o
governo Bolsonaro, os arquivos que remontam ao nascimento do Bolsa Família, de
20 anos atrás, foram apagados. “Há um apagão nas informações”, frisou.
A Fabulosa Máquina do Tempo retrata o Brasil profundo com
suas contradições. As garotas conectadas a TikTok e Kwai, que não desejam casar,
vivem os seus sonhos em um ambiente extremamente árido no interior do Piauí.
Clarice explicou o início do projeto com a preocupação de
obter a autorização dos pais, a criação da oficina de audiovisual para preparar
as protagonistas com as filmagens e a enxuta equipe composta exclusivamente por
mulheres durante as gravações.
As cenas que focam as igrejas evangélicas chamam a atenção
no documentário. É um novo retrato do Brasil que também eclode nos rincões
piauienses. Clarice salientou que Guaribas sente orgulho de ser nomeada como a
cidade que mais vota percentualmente no presidente Lula, mas há um avanço latente
do bolsonarismo por lá. A produtora enfatizou a baixa oferta cultural no
município, sendo que as igrejas surgem como espaços de canto, dança e senso de pertencimento.
Cineclube Vladimir Herzog oferece sessões gratuitas ao
público em geral (e não só jornalistas). Mais informações sobre a programação no
Facebook e Instagram @cineclubevladimirherzog Fica a dica.
Fabio Maksymczuk


















