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domingo, 6 de setembro de 2026

Sabatina com presidenciáveis expõe Cesar Tralli na TV Globo

 

Olá, internautas

A disputa eleitoral move a cobertura jornalística na TV brasileira. Neste ano, a TV Globo resolveu separar o Jornal Nacional das sabatinas com os presidenciáveis. Nesse período, Ana Paula Araújo e Marcio Bonfim apresentaram o noticiário.

Uma dupla que deve ter apoio nos bastidores em um breve futuro do telejornal. Dentro da minha visão, Bonfim adota um estilo exageradamente formal, o que confronta com o novo rumo no telejornalismo brasileiro que busca uma maior informalidade na transmissão da notícia.   

Após o encerramento do JN, Renata Vasconcellos e Cesar Tralli comandaram as entrevistas com os presidenciáveis. Em 40 minutos, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Luiz Inacio Lula da Silva, Flavio Bolsonaro e Augusto Cury responderam as indagações dos jornalistas.

O crescimento da dívida pública foi uma tônica em todas as sabatinas. Renan, do Missão, defendeu o desenvolvimento de uma bomba atômica. Tal ideia já era alardeada por Eneas Carneiro (PRONA) na Eleição de 1998. Quase 30 anos atrás.

Já Lula resgatou a velha polarização entre petismo e malufismo em São Paulo ao falar que Paulo Maluf sempre defendia o lema “bandido bom é bandido morto” nas campanhas eleitorais quando foi questionado sobre segurança pública. O presidente distorceu a fala do oponente histórico. O ex-governador sempre bradava “É Rota na Rua” e criticava as rebeliões nos presídios. Dizia que os presos que botavam fogo nos colchões dormiriam no chão das celas. Sempre é bom lembrar que São Paulo é estratégico para a conquista da reeleição.

Zema entrou em contradição ao tentar defender o aumento salarial dos secretários em seu mandato como governador de Minas Gerais e a necessidade da redução de gastos públicos para conter a dívida, caso seja eleito presidente.

Já Caiado não respondia diretamente as perguntas feitas por Renata e Tralli. Tentava contornar e fugir de explicações mais enfáticas. Flavio foi acusado de soltar inverdades, como o caso do ex-comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Júnior, que lançou o livro Eu disse não! – Uma trincheira antigolpista. O candidato do PL bradou que o militar estaria pedindo voto para Lula. Fake News.

Augusto Cury defendeu a ampliação da telemedicina na saúde pública e tentou explicar sobre o uso de drones no combate à violência contra a mulher. Nesse início da corrida eleitoral, o candidato do AVANTE conseguiu capturar a atenção do eleitor que foge da polarização entre lulismo e bolsonarismo, especialmente após o seu bom desempenho no debate da Band.

Cesar Tralli ficou mais exposto durante a semana de entrevistas. Sem um posicionamento mais firme com os candidatos, o apresentador seguia basicamente o roteiro das perguntas. A função de retrucar os presidenciáveis ficou com Renata. O momento constrangedor de Tralli perdido em meio às folhas de anotações durante a sabatina com Flavio Bolsonaro simboliza a percepção do público.

O estranhamento com Tralli é natural, já que o seu antecessor William Bonner ficou quase 30 anos na bancada do Jornal Nacional. É uma transição que ainda está em andamento. Mesmo assim, a TV Globo ofereceu um espaço em sua programação para o eleitor sedimentar o seu voto com mais informação. 

Fabio Maksymczuk  

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