Olá, internautas
A disputa eleitoral move a cobertura jornalística na TV
brasileira. Neste ano, a TV Globo resolveu separar o Jornal Nacional das sabatinas com os
presidenciáveis. Nesse período, Ana Paula Araújo e Marcio Bonfim apresentaram o noticiário.
Uma dupla que deve ter apoio nos bastidores em um breve
futuro do telejornal. Dentro da minha visão, Bonfim adota um estilo exageradamente
formal, o que confronta com o novo rumo no telejornalismo brasileiro que busca
uma maior informalidade na transmissão da notícia.
Após o encerramento do JN, Renata Vasconcellos e Cesar
Tralli comandaram as entrevistas com os presidenciáveis. Em 40 minutos, Romeu
Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Luiz Inacio Lula da Silva, Flavio Bolsonaro
e Augusto Cury responderam as indagações dos jornalistas.
O crescimento da dívida pública foi uma tônica em todas as
sabatinas. Renan, do Missão, defendeu o desenvolvimento de uma bomba atômica.
Tal ideia já era alardeada por Eneas Carneiro (PRONA) na Eleição de 1998. Quase
30 anos atrás.
Já Lula resgatou a velha polarização entre petismo e
malufismo em São Paulo ao falar que Paulo Maluf sempre defendia o lema “bandido
bom é bandido morto” nas campanhas eleitorais quando foi questionado sobre
segurança pública. O presidente distorceu a fala do oponente histórico. O
ex-governador sempre bradava “É Rota na Rua” e criticava as rebeliões nos presídios.
Dizia que os presos que botavam fogo nos colchões dormiriam no chão das celas. Sempre
é bom lembrar que São Paulo é estratégico para a conquista da reeleição.
Zema entrou em contradição ao tentar defender o aumento salarial
dos secretários em seu mandato como governador de Minas Gerais e a necessidade
da redução de gastos públicos para conter a dívida, caso seja eleito
presidente.
Já Caiado não respondia diretamente as perguntas feitas por
Renata e Tralli. Tentava contornar e fugir de explicações mais enfáticas. Flavio
foi acusado de soltar inverdades, como o caso do ex-comandante da Aeronáutica, Carlos
de Almeida Baptista Júnior, que lançou o livro Eu disse não! – Uma trincheira
antigolpista. O candidato do PL bradou que o militar estaria pedindo voto para
Lula. Fake News.
Augusto Cury defendeu a ampliação da telemedicina na saúde pública
e tentou explicar sobre o uso de drones no combate à violência contra a mulher.
Nesse início da corrida eleitoral, o candidato do AVANTE conseguiu capturar a atenção
do eleitor que foge da polarização entre lulismo e bolsonarismo, especialmente após
o seu bom desempenho no debate da Band.
Cesar Tralli ficou mais exposto durante a semana de
entrevistas. Sem um posicionamento mais firme com os candidatos, o apresentador
seguia basicamente o roteiro das perguntas. A função de retrucar os
presidenciáveis ficou com Renata. O momento constrangedor de Tralli perdido em
meio às folhas de anotações durante a sabatina com Flavio Bolsonaro simboliza a
percepção do público.
O estranhamento com Tralli é natural, já que o seu antecessor
William Bonner ficou quase 30 anos na bancada do Jornal Nacional. É uma transição
que ainda está em andamento. Mesmo assim, a TV Globo ofereceu um espaço em sua programação para o eleitor sedimentar o seu voto com mais informação.
Fabio Maksymczuk

Nenhum comentário:
Postar um comentário