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segunda-feira, 31 de março de 2025

"O que é o jornalismo hoje?", analisa Yan Boechat em evento no Território Livre

 

Olá, internautas

No último sábado (29/03), conheci a nova casa gastronômica cultural, Território Livre, localizada entre os bairros Higienópolis, Vila Buarque e Santa Cecília na região central da cidade de São Paulo.

Nesta oportunidade, acompanhei a palestra “Novos Rumos da Notícia – a transformação do fazer jornalismo desde as Jornadas de Junho” com Yan Boechat, correspondente internacional com reportagens especiais veiculadas pela Band e com projetos atuais para a Record, Mauro Donato, Rebeca Motta e Flavio Costa.

Segundo os palestrantes, 2013 é um marco para a mudança do jornalismo brasileiro. A partir das manifestações que eclodiram naquele ano, a mídia independente ganhou força com o avanço da tecnologia. A chamada “grande mídia” foi desqualificada, desde então.

De acordo com Donato, o cidadão realiza atualmente o contraponto com os jornalistas profissionais. “Onde está o jornalismo hoje?”, indagou o palestrante que exemplificou com o avanço de recorte de vídeos nas redes sociais, políticos falastrões e a profusão de fontes poluídas.

Já Rebeca revelou seu início no “fazer jornalismo” durante as Jornadas de Junho em 2013. Comprou uma câmera e acompanhou os manifestantes na ocasião. Logo após, cursou a Faculdade de Jornalismo e entrou na mídia alternativa, especialmente aquela dedicada à luta antirracista e movimentos da periferia.

“Contamos as histórias com o próprio repertório do periférico”, salienta. A jornalista, a partir desse ponto de vista, questiona a comunicação da grande mídia que pouco explora os territórios periféricos, valoriza o resgate da identidade do periférico e afirma que o novo processo comunicacional atua como agente de transformação.

Boechat enfatizou que as manifestações de 2013 serviram como um catalisador de movimentos, ao mesmo tempo que, com o avanço tecnológico, o custo para disseminação da informação sofreu uma abrupta diminuição de custo com a quebra do monopólio da distribuição do conteúdo. “Todo mundo pode ser jornalista”, observou, lembrando ainda o fim da obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão.

Já Flavio relata que nota uma desconfiança muito maior com o jornalista profissional. Segundo o profissional do UOL, a imprensa falhou no diálogo com a sociedade. Todo esse quadro serviu como propulsor para a disseminação das chamadas Fake News. Por outro lado, Donato acredita que a mídia alternativa, que ganhou força nos últimos anos, conversa com um público que a mídia hegemônica jamais conversou.

Yan exemplificou os novos rumos do jornalismo com o quadro de colunistas da Folha de S. Paulo. Segundo o repórter, em 2009, havia 47 colunistas. Em 2013, o número passou para 90. Em 2025, já são 250. “Vivemos a era da opinião”, defende. Boechat acredita que é mais barato contratar um colunista do que um repórter.

Costa diz que o atual processo fortalece a ignorância sobre o Brasil profundo, já que a mídia não encaminha correspondentes para conhecer a realidade do interior do País, por exemplo. “Quem é o agronegócio? O jornalismo falha”, lamenta.

“O que é o jornalismo hoje?”, questiona Donato. “Mediar a realidade”, responde Boechat que ainda completou que é caro fazer um bom jornalismo. “Hoje, os veículos estão interessados em pico de audiência”, completou, o que afasta a melhor elaboração de uma reportagem que leva de 2 a 3 dias.

Costa acredita que as pessoas ficarão fechadas, cada vez mais, em seus nichos e não vislumbra uma reação para mudar tal percepção, já que a classe jornalística é desunida e fragilizada para mudar o cenário.

Rebeca enfatizou a necessidade da maior representatividade nas redações para aumentar a diversidade editorial e, assim, dialogar com diferentes públicos, o que ampliaria a audiência.

“Novos Rumos da Notícia – a transformação do fazer jornalismo desde as Jornadas de Junho” provocou boas provocações. Bom debate.

Fabio Maksymczuk

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