Olá, internautas
No último sábado (29/03), conheci a nova casa gastronômica
cultural, Território Livre, localizada entre os bairros Higienópolis, Vila
Buarque e Santa Cecília na região central da cidade de São Paulo.
Nesta oportunidade, acompanhei a palestra “Novos Rumos da
Notícia – a transformação do fazer jornalismo desde as Jornadas de Junho” com
Yan Boechat, correspondente internacional com reportagens especiais veiculadas
pela Band e com projetos atuais para a Record, Mauro Donato, Rebeca Motta e
Flavio Costa.
Segundo os palestrantes, 2013 é um marco para a mudança do
jornalismo brasileiro. A partir das manifestações que eclodiram naquele ano, a
mídia independente ganhou força com o avanço da tecnologia. A chamada “grande mídia”
foi desqualificada, desde então.
De acordo com Donato, o cidadão realiza atualmente o
contraponto com os jornalistas profissionais. “Onde está o jornalismo hoje?”,
indagou o palestrante que exemplificou com o avanço de recorte de vídeos nas
redes sociais, políticos falastrões e a profusão de fontes poluídas.
Já Rebeca revelou seu início no “fazer jornalismo” durante
as Jornadas de Junho em 2013. Comprou uma câmera e acompanhou os manifestantes
na ocasião. Logo após, cursou a Faculdade de Jornalismo e entrou na mídia
alternativa, especialmente aquela dedicada à luta antirracista e movimentos da
periferia.
“Contamos as histórias com o próprio repertório do
periférico”, salienta. A jornalista, a partir desse ponto de vista, questiona a
comunicação da grande mídia que pouco explora os territórios periféricos,
valoriza o resgate da identidade do periférico e afirma que o novo processo
comunicacional atua como agente de transformação.
Boechat enfatizou que as manifestações de 2013 serviram como
um catalisador de movimentos, ao mesmo tempo que, com o avanço tecnológico, o
custo para disseminação da informação sofreu uma abrupta diminuição de custo
com a quebra do monopólio da distribuição do conteúdo. “Todo mundo pode ser
jornalista”, observou, lembrando ainda o fim da obrigatoriedade do diploma para
exercer a profissão.
Já Flavio relata que nota uma desconfiança muito maior com o
jornalista profissional. Segundo o profissional do UOL, a imprensa falhou no
diálogo com a sociedade. Todo esse quadro serviu como propulsor para a
disseminação das chamadas Fake News. Por outro lado, Donato acredita que a
mídia alternativa, que ganhou força nos últimos anos, conversa com um público
que a mídia hegemônica jamais conversou.
Yan exemplificou os novos rumos do jornalismo com o quadro
de colunistas da Folha de S. Paulo. Segundo o repórter, em 2009, havia 47
colunistas. Em 2013, o número passou para 90. Em 2025, já são 250. “Vivemos a
era da opinião”, defende. Boechat acredita que é mais barato contratar um
colunista do que um repórter.
Costa diz que o atual processo fortalece a ignorância sobre
o Brasil profundo, já que a mídia não encaminha correspondentes para conhecer a
realidade do interior do País, por exemplo. “Quem é o agronegócio? O jornalismo
falha”, lamenta.
“O que é o jornalismo hoje?”, questiona Donato. “Mediar a
realidade”, responde Boechat que ainda completou que é caro fazer um bom
jornalismo. “Hoje, os veículos estão interessados em pico de audiência”,
completou, o que afasta a melhor elaboração de uma reportagem que leva de 2 a 3
dias.
Costa acredita que as pessoas ficarão fechadas, cada vez
mais, em seus nichos e não vislumbra uma reação para mudar tal percepção, já
que a classe jornalística é desunida e fragilizada para mudar o cenário.
Rebeca enfatizou a necessidade da maior representatividade
nas redações para aumentar a diversidade editorial e, assim, dialogar com
diferentes públicos, o que ampliaria a audiência.
“Novos Rumos da Notícia – a transformação do fazer
jornalismo desde as Jornadas de Junho” provocou boas provocações. Bom debate.
Fabio Maksymczuk
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