Olá, internautas
Nesta madrugada de terça (17/02) para quarta-feira (18/02),
chegou ao fim o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. A TV Globo
repetiu o time do ano passado com Alex Escobar, Karine Alves, Milton Cunha e
Pretinho da Serrinha.
Desta vez, a cobertura da festividade fluminense ficou mais
poluída na tela. A emissora trouxe como novidade a Frequência do Samba com a
veiculação de conversas, pelos rádios comunicadores e fones de ouvido, entre
diretores de Carnaval, diretores de harmonia e integrantes estratégicos das
agremiações. Totalmente desnecessário.
Conforme sempre dito neste espaço, o desfile das escolas de
samba é um grande teatro musical a céu aberto. Todos esses elementos extras
tiram o foco do principal: o samba. O canal também apostou na Paradinha do
Pretinho. O comentarista saía do estúdio e entrava nas baterias pela Sapucaí
com uma câmera acoplada.
Isso provocou ruído, principalmente com Milton Cunha que
estava na dispersão da passarela do samba. Sem saber onde estavam os colegas, tentava
dialogar com o mestre Pretinho que já estava em direção às baterias. Ficava no
vácuo.
Milton é o grande nome da transmissão. Traz o espírito do
Carnaval na cobertura com ótimas tiradas. É válido destacar o trabalho de Mariana
Gross e Alexandre Henderson que também entravam, nas reportagens, com o
espírito da folia. Já a repórter Mariana Bispo cometeu uma gafe imperdoável. No
encerramento do desfile da Imperatriz Leopoldinense, enfatizou que a escola
vinha com a alegria de Milton Nascimento. Só que a agremiação homenageava Ney
Matogrosso...
Nesse primeiro dia, aconteceu o momento mais tenso na
transmissão. A Acadêmicos de Niterói, ex-Acadêmicos do Sossego, trouxe o enredo
em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para tentar passar a
imagem de “isenta”, a TV Globo abriu a cobertura logo com um relatório lido
pelo repórter Pedro Bassan sobre as ações da oposição contra o desfile.
Toda a equipe de transmissão nitidamente redobrou os
cuidados com as falas. Os opositores ao atual mandatário acusam o desfile de
promover “propaganda eleitoral antecipada”. Logo na comissão de frente, Escobar
citou, nominalmente, Dilma Rousseff, Michel Temer e Alexandre de Moraes. Eis,
que de repente, entra na tela Bozo em um duelo contra Lula com as cores das bandeiras
dos Estados Unidos e Brasil, respectivamente. Será que o apresentador achava que
o personagem era o icônico palhaço do SBT nos anos 80?
E não parou por aí. Em um determinado momento, Bozo apareceu
com destaque em um carro alegórico com uniforme de presidiário encarcerado em
uma cela. A transmissão apenas mostrou a cena sem fala alguma. No encerramento do
desfile, Escobar citou nominalmente as alas dos neoconservadores em conserva e
patriotas dos EUA.
O ex-presidente Jair Bolsonaro, que é candidato a nada nesta
eleição, não teve o nome citado durante o desfile. A emissora não detalhou o
desenvolvimento do enredo traçado pelo carnavalesco Tiago Martins. O
telespectador ficou sem as informações.
Na minha visão, a Acadêmicos de Niterói já sabia, desde o
ano passado, que seria rebaixada neste ano (pelo retrospecto de décadas com as
notas dadas à primeira escola a pisar na Sapucaí). A escola quis causar repercussão
propositalmente com essa homenagem ao presidente Lula. E conseguiram.
E como todo ano faço por aqui, lanço o meu mantra
eternizado: Volta, Manchete!
Fabio Maksymczuk

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