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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

FABIOTV em evento sobre telenovelas dos anos 80 na Jornada do Patrimônio

 

Olá, internautas

Nesse fim de semana, aconteceu mais uma edição da Jornada do Patrimônio. Aproveitei a oportunidade para desbravar a cidade de São Paulo. No sábado (15/08), tive a oportunidade de conhecer o Museu da Imigração no bairro da Mooca.

Pertinho dali, mais tarde, aconteceria a apresentação “Bairros Operários de São Paulo nas novelas dos anos 80” na sede do São Paulo Antiga, iniciativa de Douglas Nascimento, no Belenzinho. O pesquisador do patrimônio histórico paulistano enfatizou, na abertura da sessão, que quis sediar a iniciativa no bairro da Zona Leste carente de atividades culturais.

Logo em seguida, Cíntia Marcucci iniciou a discorrer sobre as telenovelas da TV Globo gravadas na capital paulista nos anos 80. Listou Plumas e Paetês, Guerra dos Sexos, Vereda Tropical, Ti Ti Ti, Cambalacho, Sassaricando, Bebê a Bordo e Meu Bem Meu Mal.

A jornalista demonstrou como, no decorrer dos 10 anos, a visão da teledramaturgia sobre a cidade de São Paulo alterou com as mudanças na estrutura econômica e social da metrópole. A industrialização era uma marca de São Paulo, especialmente nos bairros da Zona Leste. Os trabalhadores moravam junto às fábricas. Nos chamados bairros operários, como Mooca e Belenzinho.  

Vereda Tropical simbolizava essa cidade. Havia uma vila de trabalhadores, atrás da fábrica, onde as histórias aconteciam na novela. A atriz Lucélia Santos interpretava uma líder sindical, o que trazia um retrato sobre os movimentos sindicais que eclodiam naquele momento pré-democracia. Em Sassaricando, havia uma tecelagem na Mooca. Em Guerra dos Sexos, uma fábrica no segmento do vestuário servia como ambiente da trama.  

Já no final da década, Bebê a Bordo focava a transformação de uma cidade industrial para uma metrópole de serviços com o retrato de uma fábrica abandonada que virou moradia. Já em 1990, Meu Bem Meu Mal apresentava uma empresa de design.   

Cíntia Marcucci destacou, em sua exposição, como as telenovelas viam a transformação do eixo econômico paulista. As fábricas saiam da capital rumo ao interior e/ou entravam em falência. Como consequência, as vilas operárias se dizimaram na cidade, impactadas ainda pela especulação imobiliária.

Dentro desse cenário, muitos trabalhadores almoçavam em casa nos anos 80 pela proximidade da residência com o trabalho. A jornalista exemplificou como a novela Guerra dos Sexos retratou a mudança que acontecia em São Paulo com a entrada do vale refeição. Na época, chamado de “cupom”.

Com a demolição das fábricas e das vilas, intensificava a verticalização. As pessoas começavam a morar mais longe do trabalho. Desse modo, os personagens da novela de Silvio de Abreu explicavam a novidade, além de um anúncio específico no intervalo comercial que propagava a ideia de liberdade ao “comer onde quiser”.

Cintia também frisou que as novelas da TV Globo não eram gravadas totalmente na capital paulista. “Era uma representação das histórias ambientadas em São Paulo”, explicou. “Os signos são os mesmos, mesmo que a novela seja gravada no Rio de Janeiro”, completou.

A jornalista ainda declarou que a emissora platinada tentou criar um núcleo de teledramaturgia em São Paulo, mais precisamente no bairro de Santana. O projeto durou pouco. Entre 1982 e 1983. Walter Avancini ficou responsável pelo projeto que frutificou com a produção da série Avenida Paulista.  

Cíntia Marcucci criticou as atuais novelas da Globo que tentam retratar a capital paulista sem os devidos cuidados com a produção, mesmo com os avanços tecnológicos que não existiam nos anos 80. A pesquisadora exemplificou sobre o que aconteceu nos primeiros capítulos da atual Quem Ama Cuida quando Adriana (Leticia Colin) subiu em um ônibus vermelho na Avenida Paulista, coloração inexistente da frota paulistana. Ainda cutucou as cenas ambientadas no metrô Sumaré com saída pela Paulista. A comunicadora defendeu uma melhor verossimilhança com a realidade.

A palestrante relembrou que, nos anos 80, era muito comum a TV Globo gravar as telenovelas nas estações Santa Cecília e Marechal Deodoro, já que a filial da emissora platinada ficava nos arredores da Rua das Palmeiras.

Com a apresentação “Bairros Operários de São Paulo nas novelas dos anos 80”, Cíntia Marcucci conseguiu demonstrar como a telenovela serve como espelho de uma era.

Fabio Maksymczuk

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